Cliente cadastrado duas vezes, produto com código inconsistente, fornecedor escrito de três formas. É sujeira que envelhece a base e compromete qualquer análise.

Dados mestres — cadastro de cliente, produto, fornecedor, conta contábil — são a camada mais desatendida da governança de um frigorífico. Todo mundo sabe que importam; ninguém assume responsabilidade formal por eles. O resultado é previsível: cada setor cadastra de um jeito, cada nova demanda cria registro novo em vez de reaproveitar existente, e em poucos anos a base tem redundância suficiente para comprometer relatórios consolidados.
O custo desse descuido é analítico. Relatório de ranking de clientes com o mesmo cliente aparecendo três vezes, cada uma com variante do nome, desorganiza decisão comercial. Giro por produto com cinco códigos diferentes para a mesma referência distorce análise de estoque. Nenhum problema grande isoladamente; conjunto que torna qualquer BI frágil.
Solução não é tecnológica — é de governança. Um ponto único na organização autoriza criação e alteração de cadastro mestre. Pode ser pessoa, pode ser comitê pequeno, mas precisa ser único. Sem essa centralização, a entropia se reinstala em meses, mesmo após uma faxina bem feita.
Regra simples que previne acúmulo: cadastro novo exige busca prévia obrigatória, sistema sugere registro similar, responsável aprova. Cadastro inativo permanece no histórico mas não aparece em seleção de venda nova. Higiene trimestral — revisar códigos com pouca movimentação, consolidar variantes, documentar a decisão. Rotina simples, efeito permanente.
Qualidade de BI nasce aqui. Investir em ferramenta analítica sobre base mestre ruim é construir em terreno instável — vai ruir antes do retorno aparecer.