Margem bruta de frigorífico é relatório consolidado. Margem real por corte exige metodologia de rateio — e é onde se descobre que nem todo corte popular é lucrativo.

Pergunte a um gestor de frigorífico "qual corte dá mais margem?" e a resposta vem rápido, quase sempre baseada em preço de venda e rendimento aproximado. Pergunte "qual corte dá menos margem?" e a resposta vira mais lenta — porque margem negativa é desconfortável, e geralmente não se calcula quando sobra volume.
O problema é que custo de abate é fixo por animal, não por corte. Quando se rateia — proporcional ao valor de venda, proporcional ao peso, por critério marginalista — os cortes de menor valor frequentemente aparecem com margem zero ou negativa. Essa informação costuma ser recebida com ceticismo: "não pode estar certo, vendemos isso há vinte anos". Mas pode estar.
Existem três abordagens principais de rateio, e cada uma produz uma resposta diferente sobre qual corte é lucrativo. Proporcional ao valor de mercado penaliza cortes nobres; proporcional ao peso penaliza cortes leves; marginalista considera apenas custo incremental. Sistema bem estruturado permite simular os três — e a diretoria decide qual faz sentido estratégico, não apenas contábil.
Uma conclusão frequente após essa análise não é parar de produzir certos cortes, é renegociar preço ou ajustar mix. Corte residual que vinha sendo vendido por inércia a preço baixo ganha revisão. O BI aplicado ao custeio não substitui a gestão comercial — dá a ela material para conversar de forma diferente com o comprador.